De recibos verdes a empresa: quando vale a pena dar o passo
Há um momento em que continuar como trabalhador independente deixa de ser a opção mais vantajosa. Vale a pena reconhecê-lo antes de o imposto começar a pesar.
Muitos negócios em Portugal começam com recibos verdes. É simples, rápido e, no arranque, mais do que suficiente. Mas há um momento em que continuar como trabalhador independente deixa de ser a opção mais vantajosa, e vale a pena saber reconhecê-lo antes de o imposto, ou a própria operação, começarem a pesar.
Os sinais de que chegou a altura
O rendimento cresceu. No regime simplificado, o imposto é calculado por coeficientes sobre o rendimento, sem deduzir as despesas reais. Quando a atividade ganha escala e gastos, esse modelo pode traduzir-se em imposto a mais. Acima de 200.000 euros de rendimento bruto anual, a contabilidade organizada passa mesmo a ser obrigatória.
As despesas do negócio aumentaram. Se investe em equipamento, pessoal, stock ou serviços, a contabilidade organizada permite deduzir os gastos efetivos e apurar o resultado real.
Quer separar o património. Uma sociedade por quotas cria uma fronteira entre o seu património pessoal e o risco do negócio.
Os clientes já o pedem. Muitas empresas, e a maioria dos concursos, exigem faturação de uma sociedade para trabalhar consigo.
O que muda quando abre empresa
Constituir é a parte rápida. Pode ser na Empresa na Hora, presencialmente e no próprio dia, por 360 euros, ou online, desde 220 euros com pacto pré-aprovado. Numa sociedade unipessoal por quotas, o capital social pode ser de apenas 1 euro, embora quase nunca seja boa ideia ficar por aí. Escrevemos sobre isso no artigo sobre o capital social e a sua importância.
O que decide o futuro é o que vem a seguir: o enquadramento fiscal, a escolha entre regime simplificado e contabilidade organizada, o IVA, já que a isenção do artigo 53.º, até 15.000 euros de volume de negócios, deixa de se aplicar à medida que cresce, e as obrigações mensais desde o dia 1.
Um detalhe que se esquece: a Segurança Social
Quem abre atividade pela primeira vez está isento de contribuições nos primeiros 12 meses. Ao constituir empresa, o enquadramento dos sócios-gerentes muda, e convém planear esse momento para não ser apanhado de surpresa.
Então, vale sempre a pena?
Nem sempre. Há casos em que o melhor é manter os recibos verdes e otimizar o regime. A resposta certa nasce de olhar para os seus números: rendimento, margem, despesas e planos de crescimento.
É exatamente isso que fazemos na área de empreendedorismo: ajudamos a decidir com base nos seus números e tratamos de todo o processo, da constituição à contabilidade do primeiro mês.
Está a ponderar dar o passo? Falamos antes do primeiro, ou no WhatsApp se for mais prático.
Tem uma dúvida sobre a sua empresa?
Falamos consigo em linguagem clara e sem compromisso.
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